terça-feira, 12 de julho de 2011

O Conhecimento no futuro em debate nas Conferências UFRGS

No mês de julho, as Conferências UFRGS 2011 debatem “O Conhecimento nos cenários do futuro”, a partir de palestra ministrada por César Zen Vasconcellos, professor do Instituto de Física, na próxima quarta-feira (13). Vasconcellos abordará as transformações do papel do conhecimento nas diversas formas de organização social ao longo da História. A partir dessa introdução, o docente trará ao público um exercício de reflexão sobre o futuro da universidade, do conhecimento e da sociedade. A conferência inicia às 19h, na sala João Fahrion da Reitoria (Av. Paulo Gama, 110, 2º andar – Campus Centro). Mais informações pelo telefone 3308.3034 e pelo site www.difusaocultural.ufrgs.br. Inscrições podem ser feitas pelo endereço eletrônico abaixo.

Link relacionado:
www1.ufrgs.br/extensao/inscricoes/ins_inscricao.php

Semana da biblioteca começa hoje na Capital

Nesta segunda-feira (11), às 13 horas, a Prefeitura de Campo Grande realiza a abertura da primeira Semana das Bibliotecas Escolares da Rede Municipal de Ensino (Reme), o evento será realizado no auditório da Secretaria Municipal de Educação (Semed). As Oficinas serão realizadas na Escola Municipal José Rodrigues Benfica (Região Central), no período de 12 a 15/7/2011 e o curso será destinado à professores e assistentes que atuam nas bibliotecas escolares.

O objetivo do curso é capacitar e ampliar o conhecimento dos assistentes e professores de biblioteca, para que possam atuar no processo ensino aprendizagem, contribuindo para a formação de uma atitude positiva e prazerosa frente à leitura, e com isso promover sua democratização no ambiente escolar.

Leia mais em: Midiamax news

Programa analisa sistema para gerenciar dados

O BioCore é um sistema livre e flexível para gestão de dados de coletas de biodiversidade, que reflete o estado da arte no mundo




Os representantes do Programa de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Biodiversidade (Biota-MS), professor João Onofre Pinto e professor Fábio Roque, reuniram-se com os pesquisadores do Laboratório de Sistemas de Informação (LIS) do Instituto de Computação da Universidade de Campinas (Unicamp) para discutir sobre a possível implantação do sistema de informação BioCore, desenvolvido pela Unicamp, para gerenciar os dados de biodiversidade de Mato Grosso do Sul, coletados pelos pesquisadores do Biota-MS.


De acordo com os professores pesquisadores Claudia Bauzer Medeiros e André Santanchè, ambos da Unicamp, e o consultor professor Milton Cesar Ribeiro (Unesp), que se reuniram com os pesquisadores do Biota-MS, o BioCore é um sistema livre e flexível para gestão de dados de coletas de biodiversidade, que reflete o estado da arte no mundo.
O sistema permite que os pesquisadores possam compartilhar dados, ajudando-os na construção de modelos complexos e na modelagem de ecossistemas, incluindo descobertas de relações e interações entre as espécies, o que ajudará a apoiar a cooperação entre diversas pesquisas. Para mais informações sobre o BioCore acesse: www.lis.ic.unicamp.br/projects/biocore/ e proj.lis.ic.unicamp.br/biocore para ter acesso a um primeiro protótipo.
Biota-MS
O Programa Biota-MS iniciará um amplo trabalho junto às coleções do Estado, com a atuação de nove bolsistas do CNPq, que têm como missão informatizar todos os dados de biodiversidade nos próximos dois anos. Fazem parte dos objetivos do programa dar suporte técnico-científico às novas pesquisas, garantir a conservação e o uso econômico sustentável dos biomas aqui existentes.
De acordo com o secretário-executivo do Biota-MS, professor Fábio Roque, “com estas ações o programa inicia uma de suas metas mais ambiciosas: criar um portal onde qualquer cidadão terá acesso às informações sobre biodiversidade e seu uso sustentável no Estado de forma rápida e gratuita”.

O Biota-MS é um programa coordenado pela Superintendência da Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Sucitec) e reúne pesquisadores de diversas universidades e instituições de pesquisa. Podem se integrar ao programa toda instituição, seja pública, privada ou do 3º setor, que deseja participar das ações. O Biota-MS está contemplado no PPA-2008/2011 e no Orçamento do Governo de Mato Grosso do Sul.
 
Mais informações pelo: www.biota.ms.gov.br ou pelo email roque.eco@gmail.com .

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Conaculta otorga un millón de pesos a las Bibliotecas Modelos

Bibliotecas de Gómez Palacio y Lerdo realizaron sus propuestas para incrementar el acervo, equipo de cómputo, ludoteca y sala juvenil.

Gómez Palacio .- Bibliotecas de Gómez Palacio y Lerdo realizaron sus propuestas para incrementar el acervo, equipo de cómputo, ludoteca y sala juvenil.
José Raúl Silva García coordinador estatal de Bibliotecas Públicas del Instituto de Cultura del Estado de 

Durango, asegura que el Consejo Nacional para la Cultura y las Artes (Conaculta) cuenta con el programa Biblioteca Modelo, que consiste en el otorgamiento de 1 millón de pesos para realizar estas obras.
Entrevistado en las instalaciones de la Biblioteca Pública Benito Juárez en el municipio de Lerdo, el funcionario estatal comenta que de resultar beneficiada, la biblioteca de Lerdo que se encuentra frente a la Plaza Principal así como la Francisco Zarco de Gómez Palacio, recibirían además 2 mil 500 libros actuales nuevos.

“Estas bibliotecas se encuentran dentro de la Red Nacional de Bibliotecas Públicas y a la Red Estatal”, comenta el funcionario.
Detalla que en lo que se refiere a la Biblioteca de Lerdo, que se propone aspire al estatus de “Biblioteca Modelo” se le deben realizar adecuaciones físicas.
“Si bien, fue remodelada recientemente, es necesario que se realicen adaptaciones fundamentalmente para la atención a personas con limitaciones físicas.
Detalles como aire acondicionado y la redistribución de áreas. Es poca la inversión que se requiere en el lugar”.

Si el Ayuntamiento de Lerdo realiza la inversión en estos pequeños detalles, se podrá aspirar a contar con el recurso importante derivado del programa que maneja Conaculta.
Existen además Bibliotecas Modelo en el país que cuentan con las especificaciones que se requieren para tener el estatus. Se trata de entidades que han hecho la inversión con recursos propio. 


Escola de Aricanduva inaugura Biblioteca Infantil

Benefício foi possibilitado por intermédio de parceria com a Unopar, através do Projeto “Biblos”

Escola de Aricanduva inaugura Biblioteca Infantil

 

Foi inaugurada recentemente a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, na Escola Municipal Aricanduva, no município de Arapongas. O benefício foi possibilitado por intermédio de parceria com a Unopar, através do Projeto “Biblos”, desenvolvido pela Universidade com o objetivo de arrecadar livros, para montagem ou ampliação de Bibliotecas em instituições educacionais, públicas e particulares e a empresa Nortox, que fez a doação das prateleiras.

A Biblioteca já nasce com um acervo de 4 mil exemplares, que segundo o secretário de Educação, professor Paulo Valério, traz uma significativa importância para o desenvolvimento do hábito da leitura entre os alunos, que também poderão utilizá-la no seu aprendizado escolar. O secretário também destacou mais esta parceria com a Unopar e agradeceu a empresa Nortox, por ter colaborado com parte do material.

O prefeito Beto Pugliese destacou a iniciativa, ressaltando a contribuição que o acervo desta Biblioteca Infantil terá no desenvolvimento social e emocional dos alunos e parabenizou a direção da Escola e seus parceiros neste empreendimento, que contribui para a formação de futuros cidadãos responsáveis e atuantes na sociedade. ”A leitura é a porta de entrada para o conhecimento e certamente esta iniciativa da Escola trará bons frutos”, salientou.

O coordenador do projeto “Biblos”, professor Joaquim de Medeiros Neto, explicou que ele funciona como extensão permanente e já arrecadou desde sua implantação, em maio de 1999, milhares de livros que foram disponibilizados em 40 locais, seja através da ampliação ou construção de Bibliotecas. Também participaram da inauguração, o diretor da Unopar, Ricardo Sardinha, o representante da Nortox, Pedro Marcos Marcelino, a diretora da Escola, Valéria Maria Baldini e representantes da comunidade do Distrito de Aricanduva.

Fonte: TN Online

sábado, 9 de julho de 2011

'Não seria má ideia comer Machado de Assis', diz argentina Pola Oloixarac

Escritora está em Paraty para lançar controvertido romance de estreia. Chamada de 'musa' da Flip, ela rebate com sarcasmo fala sobre biquíni.


Dona de uma das prosas mais transgressivas – e ambíguas – desta Flip, a escritora argentina Pola Oloixarac elegeu, a pedido do G1, que autor gostaria de "devorar", no sentido antropofágico de Oswald de Andrade, da assimilação como forma do artista se fortalecer.
"Não conheço muito a literatura brasileira contemporânea, mas gostei de 'Nove noites', de Ronaldo Carvalho, e agora estou no caminho de Machado de Assis. Talvez me cairia muito mal comê-lo, mas não seria uma má ideia", brincou a jovem autora de "As teorias selvagens", seu romance de estreia, que veio acompanhado de elogios de parte da crítica de língua espanhola e de comentários depreciativos, especialmente de alguns meios argentinos, que a acusaram de ridicularizar a esquerda e a tradição acadêmica do país.
Como nas linhas que escreve em sua casa em um vilarejo próximo à estância turística de Bariloche – a que prefere chamar de "Brasiloche", por ser alvo de "um tsunami de brasileiros" -, Pola alterna momentos de seriedade e de ironia para falar sobre os efeitos devastadores da recente erupção vulcânica que cobriu de cinzas a região e afetou o tráfego aéreo em toda a América do Sul.

"As coisas com o vulcão estão bem... Sim, tem um pouco de cinzas, a natureza é assim. Caíram cinco centímetros de cinza. Foi um pouco dramático, foi especial. Havia uma sensação de enxofre no ar. Mas agora as cinzas pararam de cair. E começou a cair neve. São como praias nevadas. Tudo é uma praia agora."
Aproveitando a deixa, o repórter pergunta à Pola sobre o novo maiô de estampa de oncinha do estilista Marc Jacobs que ela, assumidamente apaixonada por moda, declarou a uma publicação brasileira estar ansiosa para usar em Paraty. A escritora – que é formada em filosofia e sofre com as insinuações de que só faz sucesso por ser bonita – mostra as garras:
"Claro, porque é a única coisa em que uma escritora pode pensar. Quero ir ao Brasil para ficar de biquíni todo dia, dar entrevistas de biquíni, dar palestras de biquíni. Vim para isso, era absolutamente a ideia." E arremata: "Nunca tive um biquíni. Nem de oncinha, nem Marc Jabobs. Não é verdade, eu sinto muito. Acho que vão cancelar minha participação na Flip agora que sabem que não trouxe um biquíni. Por isso não queria fazê-lo até o último momento."

Fonte: Globo.com

Alunos do ensino médio são mais ativos que os do fundamental


Quanto mais tempo a criança fica sentada, maior é o seu peso corporal

Quando a criança cresce e passa para o ensino médio, o nível de atividade aumenta. Alunos do ensino médio estão, em média, 20% mais ativos que estudantes do ensino fundamental, indica levantamento feito pelas secretarias da Saúde e da Educação, realizado em parceria com o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs).

A tendência sempre foi o inverso. Quanto mais velha a pessoa fica, menos pratica exercício físico. Essa mudança de comportamento acende um alerta. Indica que, a cada geração, o problema da falta de atividade física se agrava.
– A hipótese principal é que as crianças têm exposição maior a computador, videogame e televisão. Hoje, as crianças são hábeis com a tecnologia. Porém o custo disto é que não se exercitam adequadamente. Uma das consequências é a obesidade infantil –, disse Victor Matsudo, coordenador do Agita São Paulo, programa estadual voltado ao incentivo da prática de atividades físicas.

O programa Agita São Paulo recomenda que as crianças se movimentem em pé por cinco minutos a cada meia hora de atividade sentada.

O levantamento foi feito com 2,5 mil escolares da 5ª e 9ª séries do ensino fundamental (ciclo II) e do 3º ano do ensino médio, em uma amostra representativa para o Estado de São Paulo.

Os jovens responderam a um questionário onde apontavam quanto gastavam de tempo com cada atividade. A recomendação internacional mínima para realizar atividade física é de 300 minutos por semana para crianças e 150 minutos para adultos.

Quanto mais tempo a criança fica sentada, maior é o seu peso corporal e índice de massa corpórea e maior é o nível de colesterol ruim e triglicérides. Em contrapartida, menor é o nível de colesterol bom e menor é o nível de potência aeróbica (capacidade do organismo em transportar oxigênio).

Banguecoque vai ser a Capital Mundial do Livro em 2013

Representantes da UNESCO, da União Internacional de Editores (UIE), da Federação Internacional de Livreiros (IBF) e da Federação Internacional de Associações e Instituições dos Bibliotecários (IFLA) elegeram a capital tailandesa "devido à vontade de reunir todos os atores envolvidos no mundo dos livros".
A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, felicitou a cidade de Banguecoque e destacou a riqueza e a variedade do programa proposto, vocacionado sobretudo para os mais jovens.

Fonte: RTP

A Menina que odiava livros

Recebi esse vídeo por e-mail, vi, e gostei.


Espero que você também goste.

Abraços.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Crimes acidentais: a destruição de um continente

Por Gilson Caroni Filho

O morticínio é até hoje incalculável. Pela fome, e pelas epidemias oportunistas que se instalaram aproveitando o quadro de subnutrição generalizada

Todos sabem que o continente africano é o que paga o maior preço pela herança colonial e pela desorganização da produção agrícola provocada pelos complexos agroindustriais das potências europeias. De acordo com o Informe sobre Metas do Desenvolvimento do Milênio, publicado em 2010, ”entre os 36 países com índices de mortalidade infantil superiores a cem por cada cem mil habitantes, 34 estão na África Subsaariana.

O legado deixado pelo colonialismo europeu foi extremamente pesado não apenas no que se refere à destruição da cultura tradicional e das reservas de fertilização do solo ou equilíbrio natural. Mas há histórias antigas que devem ser lembradas para que fiquem evidentes as múltiplas estratégias de dominação engendradas através da destruição ambiental. Na África, elas se entrelaçaram à ausência de industrialização, crescimento demográfico acelerado e deterioração  das relações de trocas externas, acompanhadas não raro de bloqueios e manobras desestabilizadoras. A combinação levou o continente ao limiar de uma catástrofe alimentar sem precedentes.

Os fatos que passamos a narrar mostram a centralidade da questão ecológica e, obviamente, sua radicalidade ética. Experiências inovadoras, alternativas aos sistemas produtivos implantados pelas potências européias e, posteriormente pelo imperialismo estadunidense, devem ser implementadas. Mas se não há outro método senão o do erro e do acerto, a experiência acumulada já nos permite evitar a devastação provocada por crimes ” acidentais”. Relembrar é fundamental para a ação política.

No final do século 19 a África já tinha sido duramente atingida por séculos de tráfico de escravos e exploração de seus recursos naturais, notadamente os minerais. Mesmo assim, ainda existiam no continente sociedades prósperas e vigorosas, econômica e culturalmente.
Uma única e aparentemente irrelevante intervenção européia mudou esse quadro de forma abrupta, devastadora e irreversível.

Em meados da década de 1880 uma força expedicionária italiana fez uma de suas periódicas incursões no nordeste da África. Sua permanência foi curta, mas teve conseqüências catastróficas. Os italianos trouxeram consigo cabeças de gado para sua alimentação; e essas cabeças de gado por sua vez trouxeram e legaram à África a Rinderpest, ou peste do gado.

A Rinderpest é uma moléstia infecciosa de ruminantes, altamente contagiosa e virulenta, causada por um vírus, Tortor bovis. O vírus tem um período de incubação curto, de três a cinco dias. Os primeiros sintomas da doença são lassitude e inapetência, acompanhadas de febre de mais de 40 graus. Seguem-se supurações oculares, nasais e bucais, diarréia, perda de massa corporal, desidratação e desinteria, e finalmente sobreveem, após não mais de duas semanas, prostração, coma e morte.

Originária das estepes da Ásia, a Rinderpest chegou à Europa no rastro das invasões de povos como os mongóis. Após vários surtos epidêmicos, a doença se tornou endêmica em algumas regiões da Europa; e, como freqüentemente acontece com endemias, ocorreu um processo de seleção natural pelo qual os indivíduos naturalmente resistentes sobreviviam e se reproduziam, e seus descendentes, ou parte deles, possuíam imunidade parcial ou tolerância. Eram infectados, mas não desenvolviam a doença, tornando-se assim portadores e transmissores assintomáticos.

Mas até então a Rinderpest era totalmente inexistente na África sub-saariana, possivelmente porque os camelos, os únicos animais a cruzar o deserto, não eram suscetíveis à moléstia. E portanto nenhuma espécie nativa era dotada de qualquer defesa imunológica contra a doença.

Sem a barreira protetora do deserto, a Rinderpest se disseminou de forma avassaladora, primeiro pelo chamado Chifre da África e rapidamente por todo o continente. Em 1887 a “peste do gado” surgiu na Eritréia, local da invasão italiana, e em menos de um ano havia se espalhado por toda a Etiópia. Dali seguiu dois caminhos. Para o oeste, através do Sudão e do Chade, e em cinco anos chegou ao Atlântico. Para o sul, através do Quênia e de Tanganica, e dali penetrando no centro do continente.

Antes do final do século19 a epidemia tinha chegado à África do Sul, apesar das tentativas pelas autoridades das então ainda incipientes colônias inglesas ali já estabelecidas de impedir sua passagem erguendo uma barreira sanitária ao longo de 1.500 quilômetros, e havia dizimado quase todo o gado da região. E destruído, por onde passou, as sociedades nativas.

A doença não afeta seres humanos, mas aquelas sociedades tiveram suas bases destroçadas. Os pastores e criadores perderam seus rebanhos. Os agricultores ficaram privados dos animais de tração para seus arados e para as rodas de água que serviam para irrigar seus campos. E os caçadores viram desaparecer suas presas, pois a Rinderpest ataca indiscriminadamente espécies domésticas e selvagens.

O morticínio é até hoje incalculável. Pela fome, e pelas epidemias oportunistas que se instalaram aproveitando o quadro de subnutrição generalizada. E também pelo impacto psicológico. Tribos como os Masai, celebrados como prósperos criadores de gado e bravos guerreiros, viram toda sua estrutura social desabar da noite para o dia e se reduziram a pedintes, implorando por comida às caravanas que cruzavam seu território. Os Fulani, outra tribo antes rica e poderosa, perderam todo seu gado e, incapazes de aceitar o flagelo que os havia acometido, se auto-destruíram quase que à extinção matando suas próprias famílias e se suicidando em massa.

Para as potências coloniais européias a Rinderpest foi uma benção. Ao avançarem maciçamente sobre a África no final do século 19 e no começo do século 20 encontraram uma população empobrecida e assolada por doenças, drasticamente reduzida, em alguns casos a menos de 10% do que tinha sido uma ou duas décadas atrás, e incapaz de oferecer qualquer resistência significativa aos invasores. Poucas, se alguma, conquistas coloniais terão sido tão fáceis quanto a da África pós-Rinderpest.

Mas a peste do gado teve outra consequência: mudou a própria ecologia do continente. Até então, as grandes manadas que ocupavam as campinas africanas limitavam o crescimento da vegetação, tanto pelo pasto quanto por sua presença física. Com o desaparecimento dessas manadas, as planícies foram tomadas pelas gramíneas, que cresciam sem qualquer fator limitador, e a vegetação arbórea e arbustífera se espalhou por vastas áreas de florestas e cerrados.

Esse ambiente se mostrou propício à proliferação da mosca tsé-tsé, um grupo de insetos hematófagos do gênero Glossina que infesta tanto animais como seres humanos, e é o transmissor do parasita causador da trepanossomose conhecida como “doença do sono” (outra espécie de trepanossoma é causador da Doença de Chagas). A doença é caracterizada por febre e inflamação das glândulas linfáticas, seguidas, quando ocorre o comprometimento da medula espinhal e do cérebro, por profunda letargia (daí seu nome) e, numa alta proporção de casos, de morte.

De início a Rinderpest também afetou a mosca tsé-tsé negativamente, ao dizimar seus hospedeiros animais, domésticos e selvagens, e humanos. Mas a vegetação exuberante que passou a dominar as campinas forneceu o terreno ideal para que as moscas adultas depositassem suas larvas e assim procriassem em grande número, o que permitiu à tsé-tsé sobreviver. Quando a epidemia de Rinderpest cedeu, por falta de vítimas, as populações de animais selvagens, por não dependerem de humanos para sua subsistência, se recuperaram muito mais rápida e intensamente do que as de amimais domésticos e de humanos. E a mosca tsé-tsé pôde se espalhar pelos novos hospedeiros, livre de qualquer controle. Por sua vez, a infestação pela tsé-tsé e a doença de que é portadora impediram que os humanos e seu gado voltassem a ocupar as planícies como áreas de pasto. Nessas condições, a tsé-tsé passou a dominar o novo ambiente, incluindo o leste da África onde era inexistente, e regiões do sul do continente em que havia praticamente desaparecido.

A combinação de mudança ambiental e a devastação colonial fizeram com que as sociedades já arrasadas pela peste do gado nunca pudessem se recuperar. Além disso, muitos dos conflitos tribais que hoje ocorrem são fruto não de rivalidades milenares, mas sim de disputas resultantes da Rinderpest, quer por comida no auge da epidemia quer pelas escassas áreas de pastoreio existentes no ambiente por ela criado, e agravadas pelas tensões geradas pelas fronteiras arbitrariamente riscadas no mapa pelas potências coloniais.

Ironicamente, outra iniciativa européia, esta bem intencionada, serviu para preservar as condições econômicas adversas. Os colonizadores supuseram, erroneamente, que o ambiente com o qual se depararam – vastas áreas de planícies cobertas por grama alta e ocupadas por animais selvagens, de cerrados e de florestas, todas infestadas pela mosca tsé-tsé e sem a presença do homem e de animais domésticos – era a “África primitiva”; e quando mais tarde surgiram os primeiros movimentos “conservacionistas” (alguns eivados de uma boa dose de hipocrisia) que levaram à criação dos parques nacionais e das reservas animais foi esse ambiente supostamente “primitivo” que se estabeleceu como modelo para a preservação, não raro com o beneplácito e a colaboração dos governos locais, desesperadamente necessitados das receitas em moeda forte provenientes do “turismo ecológico”. Com isso, as áreas de “preservação” foram para sempre vedadas a qualquer atividade econômica, desprezando o fato de que, antes da Rinderpest, homem, gado e fauna selvagem dividiam equilibradamente o território, e de que esse equilíbrio era dinâmico, com ciclos de predominância dos diversos tipos de vegetação e formas de ocupação.

Isto criou ainda uma nova figura antes inexistente: o “poacher”, ou caçador clandestino, tanto para obter alimento quanto para se apoderar, quase sempre para serem contrabandeados para países ricos, de despojos valiosos como chifres de rinoceronte ou patas de macacos. O “poacher” tornou-se, ao lado do ditador caricato, o grande vilão da África pós-colonial, a ser bravamente combatido pelo destemido “defensor da natureza”, sejam naturalistas (muitos deles de fato idealistas e dedicados) sejam heróis de ficção – infalivelmente caucasianos. As “vozes d’África”, como sempre, não se fazem ouvir.

A África que nos é mostrada hoje, nos documentários sobre a “África selvagem” e nos noticiários sobre as “guerras tribais”, na ficção popular e nas biografias romanceadas “baseadas em fatos reais” é, portanto, em mais de um sentido, uma artificialidade criada pela intervenção européia, direta e indireta, na ecologia do continente, incluída sua ecologia social. Um embuste reeditado pelos Nat Geos que se multiplicam nas telas.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.