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sábado, 17 de março de 2012

Exercícios Revolução Francesa 3º Ano Profª. Camila Bairros Escola Júlio Grau

Marcar com “X” a resposta certa:

1. (UEL-PR) A Revolução Francesa representou uma ruptura da ordem política (o Antigo Regime) e sua proposta social desencadeou

A) a concentração do poder nas mãos da burguesia, que passou a zelar pelo bem-estar das novas ordens sociais.

B) a formação de uma sociedade fundada nas concepções de direitos dos homens, segundo as quais todos nascem iguais e sem distinção perante a
lei.

C) a formação de uma sociedade igualitária regida pelas comunas, organizadas a partir do campo e das periferias urbanas.

D) convulsões sociais, que culminaram com as guerras napoleônicas e com a conquista das Américas.

E) o surgimento da soberania popular, com eleição de representantes de todos os segmentos sociais.

2. (UFPA) Luís XVI, no momento da tomada da Bastilha, proferiu estas palavras: “Não quero me separar do ‘meu clero’ e da ‘minha nobreza’”, que refletem a sociedade francesa do Antigo Regime. Essa sociedade era:

A) dividida em classes sociais, com uma nobreza parasitária que detinha todos os privilégios, inclusive em cobrar o dízimo das comunidades camponesas, especialmente daquelas consideradas revolucionárias.

B) formada de moradores de castelos medievais, pertencentes a uma notável nobreza de sangue, que detinha todos os privilégios, inclusive o de escolher os padres que atuavam nas paróquias.

C) dividida em Ordens ou Estados, sendo a nobreza e o clero, isto é, o primeiro e o segundo Estado, detentores da maioria dos privilégios e muito ricos em terras e rendas.

D) constituída de uma nobreza togada, muito ricos e proprietários de terras que extrapolavam as fronteiras da França e que se sustentavam de impostos pagos pelos camponeses, como a talha e a corveia.

E) composta de duas Ordens – clero e nobreza – sendo o clero o mais rico, embora dependesse das rendas advindas dos tributos que a nobreza togada era obrigada a pagar à Igreja e dos impostos pagos pelos comerciantes.

3. (UFPA) Na sociedade francesa do Antigo Regime, um banqueiro milionário fazia parte do terceiro Estado tanto quanto um modesto camponês. Contudo, mesmo em condições sociais e econômicas diferentes, os membros dessa ordem tinham em comum o (a)

A) reconhecimento da burguesia como a principal classe da sociedade francesa, considerando que esta era a mais numerosa e a mais homogênea das três ordens.

B) abolição dos direitos feudais e o desaparecimento da cobrança do imposto da corveia e a ampliação da cobrança do dízimo à nobreza de espada.

C) desejo de abolição dos privilégios do clero e da nobreza, ou seja, o fim dos direitos feudais e a instalação de uma verdadeira igualdade de direitos civis.

D) vontade de abolir a divisão entre burgueses e camponeses, visto que todos eram os maiores produtores da França e contribuíam igualmente com os impostos nacionais.

E) desejo de uma Constituição que reconhecesse os membros do Terceiro Estado como os verdadeiros representantes da Comuna de Paris.

4. A Revolução Francesa (1789-1799) encerra-se com o chamado Golpe do 18 Brumário. Considere as assertativas abaixo, relativas a esse acontecimento.

I – O Golpe do 18 Brumário foi articulado pelos setores jacobinos mais radicais, que conduziram Napoleão Bonaparte ao poder.

II – Com a implantação do Consulado, Napoleão Bonaparte obteve o apoio decisivo de Marat e dos girondinos.

III – O episódio do 18 Brumário serviu como inspiração para Karl Marx produzir uma obra de análise política, estabelecendo o conceito de golpe de Estado bonapartista.

Quais são corretas?
A) Apenas a I
B) Apenas a II
C) Apenas a III
D) Apenas a II e a III
E) I, II, III

5. (Uece) Sobre as revoluções burguesas, são feitas as seguintes afirmações:

I. Consolidam o liberalismo.

II. Têm como base a defesa do Antigo Regime e iniciam a transição do feudalismo para o capitalismo.

III. Seus exemplos mais expressivos são: Revolução Inglesa (1644) e a Revolução Francesa.

Assinale o correto:
A) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras
B) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras
C) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras
D) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras

6. (UFRGS-2007) Após a Revolução de 1789, a França viveu um período de grande instabilidade, marcado pelo radicalismo e pela constante ameaça externa. Assinale a alternativa correta em relação a esse período:

A) Com a queda da Bastilha, símbolo do autoritarismo real, os deputados da Assembleia Constituinte, aproveitando o momento político, proclamaram a República pondo um termo final ao Antigo Regime.

B) O Golpe do 18 Brumário representou a queda do Diretório, regime representante dos interesses burgueses.

C) Em meio ao caos provocado pela fuga do Rei e pela derrocada da Monarquia, iniciou-se, em Paris, a criação de uma sociedade baseada nos ideais socialistas, a Comuna de Paris.

D) O período conhecido como Grande Terror foi protagonizado pelo jacobino Robespierre, que posteriormente foi derrubado por Napoleão, um general que se destacara por sua trajetória vitoriosa.

E) Durante um curto período de tempo, após a queda da Bastilha, a França vivenciou uma Monarquia Constitucional, mas na prática, o Rei ainda mantinha a mesma autoridade de antes.

7. A Revolução francesa (1789-1799) encerra-se com o chamado Golpe do 18 Brumário. Considere as assertativas abaixo, relativas a esse acontecimento.

I. O Golpe do 18 Brumário foi articulado pelos setores jacobinos mais radicais, que conduziram Napoleão Bonaparte ao poder.

II. Com a implantação do Consulado, Napoleão Bonaparte obteve o apoio decisivo de Marat e dos girondinos.

III. O episódio do 18 Brumário serviu como inspiração par Karl Marx produzir uma conhecida obra de análise política, estabelecendo o conceito de golpe de Estado bonapartista.

Quais são corretas?

A) I
B) II
C) III
D) II e III
E) Todas.

8. A Revolução Francesa representou um marco na História Ocidental por seu caráter de ruptura em relação ao Antigo Regime. Entre as características da crise do Antigo Regime na França está:

A) a crescente mobilização do Terceiro Estado, liderado pela burguesia, contra os privilégios do Clero e da Nobreza.

B) o desequilíbrio econômico da França, decorrente da Revolução Industrial.

C) a retomada da expansão comercial francesa, liderada por Robespierre.

D) o apoio da Monarquia às sucessivas rebeliões camponesas contrárias à Nobreza.

E) o fortalecimento da Monarquia dos Bourbons, após a participação vitoriosa na Guerra de Independência dos Estados Unidos.

9. (UECE) Sobre as Revoluções Burguesas, são feitas as seguintes afirmações:

I. Consolidam o liberalismo e marcam mudanças nas estruturas econômicas e políticas de suas respectivas sociedades.
II. Têm como base a defesa do Antigo Regime e iniciam a transição do feudalismo para o capitalismo.
III. Um exemplo expressivo é a Revolução Francesa.

Assinale o correto:
A) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
B) Apenas as  afirmações I e III  são falsas.
C) Apenas as  afirmações I e II  são falsas.
D) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras.

10.  (Vunesp-SP) No processo da Revolução Francesa, os jacobinos representaram:

A) o partido do centro, conhecido como Pântano, devido ao oportunismo e à corrupção que caracterizavam a atuação de seus membros.

B) a média e pequena burguesia que procuravam o apoio dos sans-cullottes e sentavam-se à esquerda da Assembleia.

C) o partido independente dirigido por Lafayette.

D) a alta burguesia, e sentavam-se à direita da Assembleia.

E) Aqueles que durante o período de Assembleia Legislativa defendiam a monarquia constitucional.

11. (UFPA) A Convenção, inaugurando o sistema republicano da Revolução Francesa, pode ser caracterizada como:

A) fase mais popular e mais radical da revolução, na qual os jacobinos ascenderam ao poder; apoiados pelos san-collottes.

B) período em que os girondinos, representados por Robespierre, implantaram uma ditadura que culminou na Era do Terror.

C) fase de maior tranquilidade política da revolução, devido à ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, nome que se tornou consenso entre os revolucionários franceses.

D) momento de grande tranquilidade política e social, marcado por várias tentativas de Golpe de Estado, destacando o movimento de tendência comunista liderado por Gracchus Babeuf.

E) fase de consolidação da República burguesa na França, na qual a alta burguesia procurou estabilizar as suas conquistas revolucionárias.

12.  (Puccamp-SP) No contexto da Revolução Francesa, a organização do governo revolucionário significou uma forte centralização do poder: o Comitê de Salvação Pública, eleito pela Convenção, passou a ser o efetivo órgão do Governo... Havia ainda o Comitê de Segurança Geral, que dirigia a polícia e a justiça, sendo que estava subordinado ao Tribunal Revolucionário, que tinha competência para punir, até a morte, todos os suspeitos de oposição ao regime. O conjunto de medidas de exceção adotadas pelo Governo Revolucionário deram margem a que essa fase da Revolução viesse a ser conhecida como:

A) os massacres de Setembro
B) o Período do Terror
C) o Grande Medo
D) o Período do Termidor
E) o Golpe do 18 Brumário

13.  (UERJ) “Nós, habitantes da paróquia de Longeley, abaixo-assinados, tendo-nos reunido em virtude das ordens do rei, dia 6 do presente mês de maio de 1789, resolvemos o que segue:

Pedimos que todos os privilégios sejam abolidos. Declaramos que se alguém merece ter privilégios e gozar de isenções, são estes, sem contradição, os habitantes do campo, pois são mais úteis ao Estado, porque seu trabalho o fazem viver.” (Caderno de Súplicas para os Estados Gerais).

Esta reivindicação dos camponeses franceses às vésperas da eclosão da Revolução Francesa traduzia um desejo comum aos demais membros do Terceiro Estado a saber:

A) a convocação dos Estados Gerais para dar soluções à crise financeira.

B) a formação de uma democracia rural, composta de camponeses autônomos.

C) a supressão de uma ordem social baseada no privilégio e na sociedade estamental.

D) o advento de uma sociedade igualitária com o estabelecimento do sufrágio universal.

E) a distinção da sociedade fundamental baseada na proposta de cidadãos ativos e cidadãos passivos.

FONTES:

Revisão de História. Editora Moderna. 2010.
UFRGS. Prova comentada. 2007.
VICENTINO, Cláudio. História Geral.  Editora Saraiva, 1997.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Texto sobre a Revolução Francesa da Profª. Camila para as Turmas 301 e 302.

Crédito da imagem: cafehistoria.ning.com


Revolução Francesa

AZEVEDO, Gislane Campos; SERIACOPI, Reinaldo. História volume único. São Paulo: Ática, 2008. Pp. 252-257.

Compilado por Camila Geraldo Bairros

1. Uma sociedade estratificada
No final do século XVIII, a França contava com 25 milhões de habitantes. Cerca de oitenta por cento da população vivia no campo. A sociedade encontrava-se em três estamentos, conhecidos como estados ou ordens. O topo da pirâmide social era ocupado pelos integrantes do primeiro estado, constituído por 120 mil membros da igreja.
Mais de dez por cento das terras pertenciam à igreja, cujo clero detinha inúmeros privilégios, como a isenção de impostos, a dispensa do serviço militar e o direito de julgamento em tribunais próprios. Ele dividia-se em alto clero - religiosos de ordem nobre – e baixo clero, composto por padres e cônegos pobres.
Com status superior ao da maioria do clero, o segundo estado era formado pela nobreza, composta por cerca de 400 mil pessoas. Faziam parte dela: a família real; os cortesãos – aristocratas que viviam na Corte; os nobres de toga, ou seja, burgueses que haviam comprado títulos de nobreza (cabe lembrar que, segundo hobsbawn os burgueses de toga tinham instrução para exercer cargos públicos no Estado francês)1; e os descendentes das antigas famílias feudais (nobres de sangue), muitos dos quais viviam ainda em seus castelos. Os nobres também não precisavam pagar impostos e viviam à custa, principalmente, de exploração do trabalho dos camponeses que lavraram suas terras.
No terceiro estado encontrava-se o restante da população, ou seja, quase 98 por cento de todos os franceses. Esse grupo era o único que recolhia impostos, tanto para o Estado como para a nobreza e o clero. Algumas dessas taxas eram remanescentes do feudalismo, como a corvéia, a banalidade e o dízimo.
O terceiro estado era composto por diversos setores da sociedade, entre os quais a burguesia, formada por banqueiros, armadores e empresários; a média burguesia, constituída por profissionais liberais e médios empresários e comerciantes; a pequena burguesia, composta por artesãos e pequenos comerciantes; os trabalhadores urbanos e os camponeses.

Caos e revolta

Nas últimas décadas do século XVIII, cerca de oitenta por cento da renda dos camponeses era destinada ao pagamento de impostos. Para piorar o governo da França viveu nesse período uma profunda crise econômica ocasionada principalmente pelos constantes gastos com conflitos externos (neste aspecto, hobsbawn comenta o envolvimento da França na guerra de independência dos Estados Unidos)*.
Em 1785 uma forte seca quase acabou com o rebanho bovino do país. Três anos depois, os péssimos resultados da safra agrícola elevaram brutalmente os preços dos alimentos. A fome se alastrou, provocando morte e desolação. Milhares de pessoas começaram a vagar pelos campos em busca de alimento. Muitas transformaram-se em pedintes, outras passaram a roubar, e algumas decidiram destruir castelos e assassinar seus proprietários, alegando serem eles os responsáveis pela miséria em que vivia a população.
Em Paris e outras cidades artesãos e operários começaram a fazer greves. Algumas vezes, os grevistas juntavam-se a desempregados famintos para saquear lojas e participar de manifestações contra a política econômica do governo.

Os Estados gerais
Tentando solucionar o déficit das contas públicas em 1789 o ministro das finanças propôs que o primeiro e o segundo estados começassem a pagar impostos, mas a proposta foi rejeitada pelo clero e pela nobreza. Para discutir a questão, o rei Luís XVI convocou os Estados gerais, órgão consultivo formado por representantes dos três estados e que não se reunia desde 1614. Ali, nobreza e clero eram maioria, pois cada ordem tinha direito a um voto.
Em 5 de maio de 1789, dia da abertura dos trabalhos dos Estados gerais no Palácio de Versalhes, o terceiro estado, que representava a maioria da população, pediu que a contagem de votos passasse a ser feita por cabeça, e não por estamento.
Seguiu-se um mês de discussões sem resultados concretos. Diante do impasse, o terceiro estado reuniu-se em uma sala separada e se autoproclamou Assembléia Nacional destinada a elaborar uma Constituição. Incapaz de dissolver a reunião do terceiro estado, no final de junho o rei ordenou que os representantes da nobreza e do clero se juntassem a ela. Com isso, no dia 9 de julho de 1789, os Estados gerais proclamaram a formação da Assembléia Nacional Constituinte.

2. A queda da Bastilha

Crédito da imagem: pessoas.hsw.uol.com.br


Publicamente, Luís XVI afirmava apoiar a Assembléia. Nos bastidores, porém, convocou o exército para dissolve-la. Quando a notícia da traição do rei circulou por Paris, grande parte da população se revoltou. Na madrugada de 14 de julho, uma multidão, formada principalmente por artesãos, operários e pequenos lojistas – conhecidos como sans-culottes por utilizarem calças compridas em vez dos culotes presos no joelho que os nobres usavam – invadiu os arsenais do governo e se apoderou de 30 mil mosquetes. Em seguida, partiu em direção à Bastilha, fortaleza na qual o governo encarcerava e torturava os seus opositores.
Embora estivesse praticamente desativada – abrigava apenas sete detentos na ocasião -, a Bastilha constituía um dos maiores símbolos do absolutismo. Tomada pela multidão após horas de combate, sua queda transformou-se em um marco, e até hoje o 14 de julho é comemorado como data nacional na França.

O fim do Antigo Regime
À medida que a notícia da queda da Bastilha se espalhava, levantes e revoltas de camponeses e trabalhadores urbanos alastravam-se pelo país. A sublevação levou a Assembléia Constituinte a abolir as leis feudais que ainda vigoravam e a suprimir privilégios da nobreza e do clero. Além disso, os grupos populares armados foram transformados em guarda Nacional, cuja missão era proteger a Assembléia.
No dia 26 de agosto a Assembléia proclamou a Declaração dos Direitos do homem e do Cidadão. Composto inicialmente por 17 artigos, o documento estabelece a liberdade2 e a igualdade de todos perante a lei, um dos mais caros princípios dos filósofos iluministas.
No dizer do historiador francês georges Lefebvre, a Declaração é o “atestado de óbito do Antigo Regime”, nome pelo qual passou a ser chamado o Estado absolutista que vigorava no país antes da Revolução. Por romper definitivamente com os princípios feudais, esse documento é considerado um dos fundamentos do Estado contemporâneo.

3. O período da monarquia constitucional
Nos dois anos que seguiram à Queda da Bastilha, Luís XVI e sua família permaneceram confinados no palácio das Tulherias, em Paris. Nesse período, os constituintes elaboraram a primeira Constituição da França (1791).
Seguindo os princípios iluministas e o exemplo norte-americano, a Carta francesa estabelecia a divisão entre três poderes do Estado e definia a monarquia constitucional como forma de governo. O rei seria o chefe do Executivo, mas seu poder não poderia se sobrepor às normas constitucionais. Suas ações seriam reguladas pelo Legislativo, composto de 745 deputados eleitos pelos cidadãos que dispunham de algum patrimônio (voto censitário).

4. A Convenção e o fim da monarquia
Em junho de 1791 Luís XVI tentou fugir com sua família para a Áustria, mas foi reconhecido na fronteira e forçado a voltar para Paris. Revoltados, os sans-culottes invadiram o palácio das Tulherias em 10 de agosto de 1792 e prenderam o rei e a rainha Maria Antonieta sob a acusação de conspirarem contra o Estado.
Com a prisão do rei, o governo passou para as mãos de um Conselho Executivo Provisório, liderado pelo advogado George-Jaques Danton. A Assembléia Nacional Constituinte foi dissolvida e em seu lugar foi eleita a Convenção Nacional. Nesse momento, diversas facções políticas disputavam o poder. Entre elas, destacavam-se os jacobinos e os girondinos. Nas eleições para a Convenção, os jacobinos obtiveram a maioria dos votos.
É muito comum em política, associarmos os termos esquerda, centro e direita a partidos políticos ou a pessoas que defendem ou combatem idéias reformistas, ou que adotam posições radicais ou moderadas diante de certas questões.
A Convenção Nacional dividia-se em grupos que representavam diferentes camadas da sociedade: os nobres, o clero, a alta burguesia, os trabalhadores, etc. Essas facções reuniam-se em três grandes blocos, cada qual ocupando lugar específico na Convenção:
- girondinos: Bloco formado por políticos moderados, tinham como núcleo original deputados da província de gironda. Representantes da grande burguesia mercantil, procuravam conter a radicalização, negociando com o rei. Ocupavam uma parte baixa da sala de reuniões, à direita da mesa da Presidência, sendo por isso conhecidos como planície.
- Jacobinos: Representavam principalmente a pequena e média burguesia. Defendiam a República e o sufrágio universal. Deviam esse nome ao fato de se reunirem no mosteiro de São Jacques, em Paris. Liderados pelos advogados Maximillien-Marie Robespierre e Louis Antoine de Saint-Just, os jacobinos sentavam-se na parte mais alta da assembléia, no lado esquerdo do salão. Eram chamados de montanheses e constituíam um dos grupos mais radicais da Convenção . A seu lado atuava outra corrente radical, a dos cordeliers (cordeleiros), liderada por George-Jacques Danton e Jean-Paul Marat.

Em 22 de setembro de 1792 a Convenção proclamou a República. Acusado de traição, Luís XVI foi levado a julgamento e executado na guilhotina em 21 de janeiro de 1793. Uma Constituição republicana foi elaborada, concedendo o sufrágio universal masculino (isto é, direito de voto só para os homens). Até mesmo um novo calendário foi criado. Os meses ganharam novos nomes e o dia 22 de setembro ficou sendo o primeiro dia do ano I da República.

1.                  Um regime chamado Terror

Crédito da imagem: pessoas.hsw.uol.com.br
Embora a esquerda se visse animada com a República, o fato é que a França atravessava uma de suas mais graves crises: tropas da Inglaterra, da Áustria, da Prússia, da Holanda, da Espanha, da Rússia e da Sardenha passaram a atacá-la por todos os lados, tentando impedir a consolidação da República e a disseminação dos ideais revolucionários. Em diversos pontos do país, nobres inconformados com a perda dos antigos privilégios organizavam movimentos contra-revolucionários .
Para enfrentar essas dificuldades, em abril de 1793 a Convenção criou o comitê de Salvação Pública, cujo comando foi entregue a Danton e, logo depois a Robespierre. O novo órgão convocou 300 mil homens para lutar contra os estrangeiros – o que provocou violenta reação em algumas províncias, ainda fiéis à monarquia – e criou o Tribunal Revolucionários para julgar os suspeitos de atitudes contra-revolucionárias. Era o início do período conhecido como Terror.
Em1793 e 1794 cerca de 300 mil pessoas foram presas, das quais 35 mil foram condenadas à morte na guilhotina. Os jacobinos executavam qualquer suspeito de “traição à Revolução”. A rainha Maria Antonieta foi guilhotinada em outubro de 1793. Muitos outros nobres também foram executados.
O governo jacobino contou inicialmente com grande apoio popular, pois criou impostos sobre ricos, aprovou lei fixando um teto para os preços dos produtos, regulamentou os salários, abriu escolas públicas, repartiu bens dos nobres que haviam se exilado e promoveu uma reforma agrária que beneficiou cerca de 3 milhões de pessoas. Também instituiu o divórcio, decretou a liberdade religiosa e aboliu a escravidão nas colônias francesas. Em junho de 1794, tropas francesas obtiveram uma vitória decisiva sobre os exércitos invasores.
Entretanto, ao mesmo tempo que reprimia a “direita”, isto é, os girondinos e a nobreza, Robespierre e o Comitê de Salvação Pública se voltaram também contra os grupos situados à “esquerda” dos jacobinos, enviando para a guilhotina os militantes radicais. Um desses condenados à morte foi o líder dos cordeleiros George-Jacques Danton.
[...]
A repressão contra os setores mais radiciais, apoiados pelos sans-culottes, levou os jacobinos a perder apoio junto à população. Isolados do povo, Robespierre e seus companheiros do Comitê foram facilmente derrubados pelos girondinos no dia 27 de julho de 1794. Como o golpe ocorreu em 9 Termidor do calendário republicano, os representantes desse grupo, defensor dos interesses da média e da alta burguesia, ficaram conhecidos como termidorianos.

6. O Diretório
Em 1795 foi aprovada uma nova Constituição – a terceira desde 1791. De caráter liberal, ela acabou com o voto universal masculino estabelecido pela Constituição anterior, de 1793, e reintroduziu o voto censitário (apenas os proprietários podiam votar). O poder Executivo ficou nas mãos do Diretório, órgão composto por cinco pessoas eleitas entre os deputados.
Durante o período do Diretório, a França enfrentou graves dificuldades financeiras. Além disso, tanto os jacobinos como os defensores da monarquia tentaram por diversas vezes derrubar o governo. Para conter essas manifestações, o Diretório pediu a ajuda do exército. Em 1795 o jovem general Napoleão Bonaparte foi escolhido para organizar a defesa interna do país.
Graças ao sucesso com que reprimiu as revoltas e seu êxito em campanhas no exterior, Napoleão Bonaparte acabou se tornando o mais importante general da França. Seu prestígio cresceu tanto que, em 1799, ele foi convidado a fazer parte do Diretório.
Em 9 de novembro de 1799 – ou 18 Brumário, de acordo com o novo calendário -, Napoleão Bonaparte dissolveu o Parlamento e substituiu o Diretório por três cônsules provisórios – entre os quais ele era o mais influente.

O impacto da Revolução Francesa
A Revolução Francesa foi, de fato, um conjunto de acontecimentos suficientemente poderoso e universal em seu impacto para ter transformado o mundo permanentemente [...]. Metade dos sistemas legais está baseada na codificação legal que a Revolução implantou. [...]
Países tão afastados de 1789, como o Irã islâmico e fundamentalista, são Estados nacionais territoriais estruturados no modelo trazido o mundo pela Revolução Francesa, junto com muito do nosso vocabulário político. [...]
A Revolução francesa deu aos povos a noção de que a história pode ser mudada por sua ação. Deu-lhes também o que até hoje permanece com a mais poderosa divisa jamais formulada para a política da democracia e das pessoas comuns que ela inaugurou: “Liberdade, igualdade, fraternidade”. (Eric Hobsbawn. Ecos da Marselhesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 124-5)


1 Eric hobsbawn é historiador e analisa a Revolução Francesa em sua obra “A era das Revoluções” – informações adicionais.
2 Convém lembrar que a palavra liberdade está associada ao conceito de Liberalismo, não intervenção do Estado na condução econômica do país, ou seja, a economia do Estado liberal era regulamentada pelas leis de mercado. Informações adicionais.