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quarta-feira, 23 de março de 2011

Entrevista com Carlos Carbonel


Um brasileiro muito viajado, culto e educado que não acredita mais no sistema. Carlos Carbonel desistiu de tudo. Depois de tentar, tentar, tentar e falhar, ele virou um morador de rua. Mas sua história não é tão curta assim, e nem tão simples, e antes que todos o esqueçam, ele veio aqui narrar os seus acontecimentos e nos provocar.

Esse ilustre morador de rua já frequentou faculdade, era aluno da escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), onde fazia Engenharia. Tem mulher e filhos, mas foi obrigado a abandonar tudo durante a ditadura militar. Carbonel conta que teve alguns amigos desaparecidos e por medo de se tornar mais uma vítima do sistema ditatorial em 1976 simplesmente arrumou as suas coisas, abandonou a família e saiu de São Paulo.

Quando dizemos que ele é viajado, não é exagero, Carbonel saiu de São Paulo e foi para o Mato Grosso, depois para o Paraguai e logo voltou para o Brasil. Foi viver no nordeste, em Belém (PA), chegou a ter um estúdio de fotografia, viajou para vários países da América do Sul sem passaporte, foi muito para Itália, França e Alemanha, ficou durante três anos e meio na Suíça e chegou a ganhar o suficiente para se manter. Lá, procurou celebridades para fotografar. Estava tudo ótimo.

De volta ao Brasil, foi pego por um plano econômico que novamente tirou tudo o que tinha, aí ele desistiu de vez. "Não acredito mais no sistema", diz Carbonel.

Hoje, mora nas ruas e trabalha como um reciclador, um catador de papel, que às vezes precisa apelar para a caridade quando não tem dinheiro para comer, e conclui: "Não sou feliz, parei de tentar ser".

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