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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Metamorfose: Franz Kafka

Por Mário Sérgio Leandro

Imagine-se acordar pela manhã ver-se transformado num inseto asquerozo, nojento, em uma barata? Esse é o drama do personagem Gregor Samsa, principal expoente desse romance. O que mais chamou a minha atenção foi a descrição física e de todos os trejeitos feita por Kafka como se realmente ele pudesse ter essa sensação de ser uma barata mesmo. Esse é o traço preciso e pertubador do autor que nos faz ficar temerosos logo no primeiro capítulo da obra.
        Creio que a figura do inseto constitui uma alegoria, uma vez que antes mesmo de o personagem tomar consciência de sua nova condição, essa mesma condição parece ser realçada pelo contexto degradante e explorador do seu trabalho. Gregor é caixeiro viajante e já trabalhava na mesma empresa há cinco anos. Acredito que a barata seja uma forma de nos mostrar o que nós tornamos quando o trabalho assume o seu viéis mais cruel: o trabalho pelo trabalho na sua forma mais desgastante.

Fonte
A situação prolonga-se bastante no Capítulo II; e nós ficamos sabendo que o pesadelo do personagem já perpassa dois meses quando da Metamorfose. Nesse caso, a família de Gregor começa a tratá-lo, definitivamente, como um inseto; negando-lhes a sua convivência com aqueles objetos os quais ainda lhe proporcionavam um pouco de Humanidade: os móveis do seu quarto.
        O contexto familiar também muda, uma vez que o pai, a mãe e a irmã de Gregor conseguem emprego, diminuindo a dependência financeira em relação ao salário do irmão, pois Gregor acaba ficando confinado em seu quarto. O recinto onde Gregor fica alojado torna-se uma verdadeiro depósito em que se coloca tudo aquilo que não se utiliza mais na casa; ignorando, inclusive, a própria presença de Gregor no quarto. Assim como o seu corpo, a sua alimentação também sofre uma drástica mudança: tal como uma barata, Gregor alimenta-se de restos de comida os quais são jogados dentro do seu quarto; Gregor vive pelos cantos escuros, rastejando pelo quarto. Tudo isso aliado à exclusão da pessoa de Gregor do seio da família, bestializando-o cada vez mais.
        A Metamorfose de Kafka é um clássico da Literatura Universal e inaugura uma estilo diferente de escrita literária, ums escrita a qual transcende a compreensão do que é aquilo que vemos, como diz o crítico Roberto Schwarz que o leitor encontras-se diante da “dança mecânica das significações puras”: tudo é o que é, sem nenhuma atenuação.
       Leia o livro e deixe acontecer em você também a Metamorfose.

Boa leitura.

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