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Fonte da imagem: livrosgratis.net |
Narradora: Isaura era filha de uma mulata clara com o antigo feitor da fazenda de escravos, um português.
O comendador, pai do senhor Leôncio, tentou de inúmeras maneiras seduzir a mãe de Isaura. Mas ela resistiu.
O comendador então a entregou a Miguel, para que ele a colocasse no trabalho da roça. Porém ela e Miguel se apaixonaram e Isaura nasceu na senzala.
O comendador ao descobrir a façanha, expulsou Miguel e tratou a escrava mão da Isaura tão mal que a matou.
O comendador, pai do senhor Leôncio, tentou de inúmeras maneiras seduzir a mãe de Isaura. Mas ela resistiu.
O comendador então a entregou a Miguel, para que ele a colocasse no trabalho da roça. Porém ela e Miguel se apaixonaram e Isaura nasceu na senzala.
O comendador ao descobrir a façanha, expulsou Miguel e tratou a escrava mão da Isaura tão mal que a matou.
-Isaura entra em cena e senta no chão. Em seguida Malvina entra em cena.
Malvina: Por que está tão triste Isaura?
Isaura (com voz triste): Lembrei de minha mãe, que não conheci...
Malvina: Hão de pensar que a maltratamos, que é vítima de senhores cruéis.
Isaura: Mas eu não sou mais do que nenhuma outra escrava, senhora Malvina.
Malvina: Falarei com Leôncio, cumpriremos a vontade de minha finada sogra, você será alforriada. Não chore.
Malvina sai de cena. Entra a narradora. Isaura continua sentada.
Narradora: Enquanto isso, Leôncio contava para seu cunhado Henrique (irmão de Malvina) sobre a mais bela escrava que já tivera conhecido: Isaura.
A narradora sai de cena e entram Henrique e Leôncio (Isaura continua sentada.
Henrique: Hum.. então essa é a escrava, mas linda desse jeito, não há ninguém que queira pagar sua alforria?
Leôncio: Colocamos um preço tão exorbitante nela, que acho que não corro esse risco.
Malvina, de trás das coxias grita: Leôncio, meu amor, precisamos conversar!- Leôncio sai de cena. Henrique pega nas mãos de Isaura e a levanta.
Henrique: Mulatinha... você não faz idéia do quanto é feiticeira.
Você é muito linda para ser escrava, posso te comprar sabia?
Isaura: Oh, senhor?!
Henrique: Teria jóias, sedas, escravos... só um beijo.
Isaura: Deixe-me em paz!
Leôncio, disfarçadamente, entra em cena.
Isaura: Pare! Oh, já não basta o senhor Leôncio!
Henrique: O quê? Também Leôncio? Que infâmia!
Leôncio: Bravo, muito bem senhor meu cunhado.
Henrique: Canalha! Pobre de minha irmã Malvina! Não conhece o marido que tem!
Leôncio: O quê está insinuando, rapaz?
Henrique: Malvina saberá de tudo!
Henrique sai de cena.
Leôncio (apontado para Isaura com raiva): Disse alguma coisa a ele?
Isaura: Eu?! Não... nada que pudesse ofender o senhor...
Leôncio: Tenho tido paciência com a sua repulsa, mas não se atreva a revelar o que se passa aqui!
Leôncio sai de cena. Isaura começa a chorar. Após um tempo, Leôncio volta ao palco.
Leôncio: Desculpe-me se te magoei...
Leôncio abraça Isaura. Malvina entra em cena e vê Leôncio e Isaura se abraçando.
Malvina: Agora acredito no que meu irmão me contou. Leôncio, seu cafajeste! Hoje mesmo abandono essa casa!
Isaura: Senhora Malvina, me desculpe, eu não...
Malvina se dirige para as coxias, mas antes de entrar diz:
Malvina: Vou imediatamente fazer minhas malas. Não fico nem mais um segundo nessa casa!
Henrique e Malvina saem de cena. Imediatamente Isaura sai correndo para as coxias. Leôncio coloca as mãos sobre o rosto e o balança negativamente, sussurrando alguma coisa.
Ouve-se um grito de trás das coxias.
Carteiro: Carta para o senhor Leôncio!
Leôncio pega a carta e a tira do envelope. Em seguida, conforme lê a carta, vai ficando triste. Isaura e Miguel entram em cena de braços dados.
Miguel: ó de casa... dá licença?
Leôncio: O que você quer aqui?
Miguel: Vim pagar a alforria de minha filha Isaura. Aqui estão os dez mil réis.
Leôncio começa a rir.
Leôncio: Está vendo essa carta?
Leôncio mostra o envelope vazio da carta para Miguel e Isaura.
Leôncio: Ela veio me comunicando que meu pai morreu de congestão cerebral, há dois dias e eu, como o único herdeiro, sou agora o dono dessa fazenda e, também, sou proprietário de tudo que nela está. Isso inclui os escravos.
Por tanto, eu declaro que Isaura não está mais a venda.
Miguel: Mas isto não é justo. Eu tenho o dinheiro e...
Leôncio: Calado! Isaura é minha propriedade. E, a partir de hoje, ela vai trabalhar no estábulo com as outras escravas, onde é seu devido lugar.
Isaura: Senhor Leôncio, não...
Leôncio, sem dar a menor bola para Isaura, continua:
Leôncio: Agora Miguel, peço que se retire de minha fazenda, se não tirei que retirá-lo a força.
Miguel sai de cena. Isaura começa a chorar.
Leôncio: Agora Isaura vou te mostrar o caminho para o estábulo.
Os dois saem de cena e entra a narradora.
Narradora: Gente, é importante lembrar que na obra original de Bernardo Guimarães Isaura tem um final feliz. Porém, nós optamos por darmos à trama um final trágico, onde ela termina como escrava. Também gostaríamos de agradecer por terem assistido o teatro da turma 72.
Todos entram no palco, se dão as mãos e fazem a reverência para o público.