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terça-feira, 10 de abril de 2012

Empréstimo de livros em Araraquara, SP, está acima da média nacional

O número de empréstimos de livros nas bibliotecas municipais de Araraquara (SP) está bem acima da média estadual e nacional, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
De acordo com o levantamento, cada família empresta em média quase 296 livros por mês. No Estado de São Paulo são pouco mais de 702. Em Araraquara são efetuados 2.675 empréstimos, média nove vezes maior que a nacional.

O estímulo à leitura é reflexo de um trabalho feito pelos professores nas escolas da cidade. Em uma delas, cujo acervo chega a mais de 15 mil obras, ao menos uma vez por semana os alunos se reúnem na biblioteca e têm aula sobre um grande autor da literatura. Cada criança leva um livro para casa, fica uma semana e o entrega com um resumo sobre o que leu.

O trabalho deu resultado, já que antes os alunos se limitavam à literatura infantil, explica Adélia Gasparello, professora e funcionária da biblioteca. “Depois de uma conversa com a professora, bolamos um jeito de eles conhecerem o infanto-juvenil, depois passarem para a ficção, teatro e poesia. Araraquara sempre foi um celeiro de grandes escritores, como o Ignácio de Loyola Brandão”, diz.
O projeto, que conta ainda com sarau integrado e visitas monitoradas, não só aumentou o número de livros emprestados como também mudou o comportamento dos estudantes em sala de aula.
“Tinham alguns alunos que não conseguiam ficar quietos, eram inseguros ao escrever por conta até de dificuldade de aprendizado. Agora há um maior interesse e menos problema de comportamento”, avalia a professora Sandra Lemes.

Rafael Luiz de Oliveira foi um dos estudantes que notou o progresso. “Antes eu não entendia direito o que a professora passava na lousa, mas agora eu entendo bem”, conta.
O universo dos livros também chegou cedo à vida da estudante Camila Teodoro, que aprendeu a ler sozinha aos quatro anos idade. “Eu fui vendo as imagens, associando as letras que a gente aprendia na creche e de repente estava lendo”, conta a adolescente hoje com 16 anos. “Quem lê aprende a falar e escrever bem, tudo melhora”, completa.

A jovem incentivou a amiga Tassiana Alves de Sousa a curtir o mesmo hobby. “Você sai do seu mundo e vai para outro diferente, é muito interessante. É uma hora que você se alivia das preocupações do agora para conhecer situações diferentes. É um mundo novo que vale muito à pena”, ressalta.
 
Leitura e tecnologia
 
Os educadores são unânimes em afirmar a importância da leitura na vida dos alunos. Com as novas tecnologias, o conteúdo está mais acessível para todos, mas é importante saber filtrar o que é importante ou não, orienta Zaira Zafalon, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e especialista em ciência da informação.
“Se a gente começa a analisar a questão de volume, isso não significa qualidade. Todas as informações estão disponíveis na internet. Isso acaba dificultando na questão de se formar cidadãos críticos. Tudo está disponível, mas nem tudo é de fato informação relevante”, avalia.
 
A especialista ressalta ainda a importância de as bibliotecas utilizarem as novas mídias sociais para atrair cada vez mais o jovem e o adolescente. Segundo ela, as bibliotecas precisam investir em informatização do sistema e não necessariamente na digitalização dos livros. “É mais importante desenvolver o seu acervo de acordo com as necessidades do seu público”, diz Zafalon.
 
Fonte: G1 assista o vídeo aqui.

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