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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Apenas 2,5% da população vão à biblioteca na região

O Grande ABC de cerca de 2,6 milhões de habitantes dispõe de 41 bibliotecas públicas, que guardam acervo de 700 mil livros, média de um para cada quatro pessoas. O número de espaços pode parecer pequeno, mas é imenso quando comparado com o de frequentadores, de aproximadamente 62 mil usuários por mês, o que equivale a 2,5% da população.

Para o coordenador do programa de Educação Básica e professor da Universidade Municipal de São Caetano Antonio Fernando Gomes Alves, é um desafio para o poder público proporcionar espaço atrativo para os moradores. "O número de frequentadores é reflexo da era digital, que desestimulou o acesso ao livro físico e ao espaço."

Quanto à oferta de títulos, o coordenador afirma que é razoável. "Como é para empréstimo ou consultas o número atende à demanda. Porém, o ideal seria ter de um a dois livros por pessoa", pontua.
Mesmo com o advento digital, como internet e e-books (livro eletrônico), especialistas ouvidos pelo Diário avaliam que é cedo para afirmar que é o fim dos livros e das bibliotecas. Para eles, o espaço deixou de ser apenas um local de leitura para ser de convivência.

"O que era um ambiente escolar se tornou algo mais amplo, seja para pesquisa, estudo para vestibular, concursos e leitura, quanto espaço com acesso à internet. E ainda ganhou ações culturais, como encontro de escritores, palestras e formação de contadores de histórias", afirma a gerente de bibliotecas de Santo André Glaucia Lanzoni.

Para ela, o perfil do público mudou nos últimos dez anos. "Hoje, temos de crianças a idosos. É preciso acompanhar as mudanças, assim como as tecnologias, para que possamos liberar o acesso à informação da forma mais completa."
Para retirar livros nas bibliotecas da região basta apresentar identidade, comprovante de residência e, em alguns casos, foto 3x4 para o cadastro.

BIBLIOTECÁRIA

Assim como a biblioteca, a profissão também não deve entrar em extinção, segundo os especialistas ouvidos pelo Diário. "A função precisa ser mais do que catalogar, armazenar o material do acervo. É indispensável a interação com a população, de modo que estimule as pessoas a buscarem o espaço mais vezes", comenta Alves.
Para a bibliotecária Ana Paula Prandi, 40, o perfil da atuação mudou com a internet. "É uma área dinâmica, em que agora lidamos com diversas classes. É preciso disseminar e otimizar todas as informações para passar ao usuário de forma qualificada", ressalta Ana, que trabalha há 15 na Biblioteca Monteiro Lobato, em São Bernardo.


Espaços públicos ainda recebem usuários assíduos

Os aposentados Claudinei dos Santos, 59 anos, e Ivonildo Dantas da Silva, 52, são apaixonados por leitura. Eles frequentam bibliotecas públicas diariamente.

O gosto pela leitura começou cedo, ainda quando Claudinei era criança e se encantava com os gibis. Depois, quando jovem, em 1970, passou a frequentar a biblioteca Nair Lacerda, no Centro de Santo André, para buscar livros para ajudá-lo nos cursos técnicos de eletricista e de mecânica geral. "Quando trabalhava, vinha mais à noite ou nos fins de semana. Sempre dava um jeito."

Mas há 12 anos o aposentado passou a ir todos os dias. Em média, pega dois livros por mês e compra outros dois. Passa pelo menos duas horas na biblioteca para estudar espanhol. "Já tenho algumas noções, mas é importante estar atualizado", explica o aposentado, que, mesmo morando sozinho, prefere a tranquilidade do espaço. "Em casa sempre acabo fazendo outra coisa. Aqui me concentro."

Há dois anos, Ivanildo se aposentou e passou a ir diariamente na Biblioteca Monteiro Lobato, no Centro de São Bernardo. Ele chega por volta das 10h, dá uma lida nos jornais e revistas e depois mergulha no universo dos livros e só volta para casa às 18h.

Também aproveita para ver alguns filmes na própria biblioteca e enviar e-mails a amigos que vivem nos Estados Unidos. "Como não tenho computador, aproveito para usar e ver as notícias", afirma o aposentado, que faz o curso de manutenção de computador.
Ele comenta que sempre foi uma pessoa curiosa, e isso despertou ainda mais o interesse pela leitura. "É essencial ler para se aprofundar em diversos assuntos e adquirir conhecimento", explica o morador, que já doou alguns livros.

Associação de bairro reúne 5.000 títulos

Quem passa em frente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Feital, em Mauá, não imagina que o local armazena cerca de 5.000 mil livros na biblioteca comunitária.

Há cinco anos, a vice-presidente da associação, Alda Silva Batista de Oliveira, 46 anos, pensou em organizar o espaço para a comunidade com os livros que recebia da escola onde trabalha, além de amigos e vizinhos.

"O objetivo é proporcionar o acesso à informação para todos. Muitos não têm como se deslocar até a biblioteca do Centro da cidade, e muitos não têm computador. E aqui é o espaço que podem usufruir", explica Alda, que trabalha como assessora administrativa em uma escola.

Para pegar um livro emprestado basta encontrar um de interesse nas diversas prateleiras e devolver em duas semanas. "Além de proporcionar conhecimento, queremos que aprendam a compartilhar e preservar o acervo, que é de todos", afirma a vice-presidente da associação.

No meio das diversas prateleiras é possível encontrar títulos de diversos gêneros. Desde livros infantis, didáticos, de literatura até de Medicina.
Em breve o espaço passará por reforma para receber mais 2.000 mil livros que estão na casa de Alda. "Vamos fazer um mutirão para organizar, fazer prateleiras de madeira para que sustente o peso dos livros que vão chegar."

Ela conta que o público é bem variado. "São de todas as cidades. Tem gente que procura para pesquisa escolar, outros para concursos, donas de casa, tem de tudo."
A professora Francisca Silva de Souza, 44, é uma das frequentadoras do espaço. Ela consulta o acervo para pegar livros de história, geografia e ciências para usar nas aulas de reforço que dá na sua própria casa, há oito anos.

"Como dou aula de Português e Matemática, às vezes têm aulas que precisam de reforço nessas outras matérias e procuro na associação", afirma. Ele avalia que a iniciativa é muito importante para o bairro. "É um modo de incentivar a leitura para toda a população."

Já a dona de casa Ana Maria de Alencar, 43, usou muito o espaço para consultar livros para o supletivo. Como assistia às aulas na associação, quando precisava tirar alguma dúvida ou estudar ia para a biblioteca comunitária. "Para pesquisas e trabalho é muito bom. Agora que terminei, vou frequentar como lazer."
Apaixonada por livros, a dona de casa Ângela Aparecida Lopes, 46, começou a frequentar a biblioteca neste ano. "Ia no Centro, mas agora, quando preciso, procuro na associação, que fica mais próximo de casa."

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