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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O profissional da informação pós-futurística


A demanda por profissionais da Ciência da Informação, responsáveis por atribuir valores de relevância aos dados presentes na rede, cresce ano após ano, e esse gráfico ascendente não deve dar sinais de exaustão tão cedo


Em 2003, num artigo publicado na revista Você S/A, a professora Isa Maria Freira, do Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação da UFPB, previu como o volume de informações presente na internet poderia impactar todos os setores relacionados à carreira dos profissionais da Ciência da Informação, tais como bibliotecários, arquivistas, documentalistas, dentre outros. A demanda por esses profissionais, responsáveis por atribuir valores de relevância aos dados presentes na rede, cresce ano após ano, e esse gráfico ascendente não deve dar sinais de exaustão tão cedo.

Para se ter uma ideia, atualmente estima-se que existam 120 bilhões de páginas indexadas na web, admitindo-se uma média de 588 páginas únicas por domínio. Até 2015, o volume de dados trafegados nesse espaço digital deve atingir a casa dos 966 exabytes (1 exabyte equivale a 10 elevado à décima oitava potência de bytes). É um universo tão inimaginavelmente colossal de dados e comandos digitalizados que alguns especialistas acreditam que, nesse ritmo, os algoritmos um dia vão criar 'vontade própria'.

Mesmo os sistemas de busca e recuperação de informações mais sofisticados não são capazes de perscrutar toda a internet. O Mundaneum imaginado por Paul Otlet foi finalmente consolidado (não exatamente do jeito que ele imaginava), o problema é que ele não quer parar de crescer. E crescendo, as informação vão se perdendo entre elas mesmas, de forma que uma busca eficiente pode se tornar cada vez mais difícil. E à medida em que a informação se torna mais numerosa, assume a proporção contrária de importância e relevância, torna-se mais factual, efêmera. Pergunta: como fica o minúsculo profissional da informação nesse panorama?

Como afirmava o famoso escritor russo Leon Tolstoi, "para ser universal, basta cantar o seu quintal". E é seguindo essa premissa que devemos encarar a informação no futuro que já está acontecendo. Para quem não conhece a área, profissionais da CI, sobretudo os bibliotecários, são mais do que organizadores de livros e arquivos em estantes, bibliotecas e gavetas: há muito tempo eles desempenham um papel-chave para governos, bancos, grandes empresas, e instituições intergovernamentais.

A busca especializada de informações, não apenas relevantes, mas vitais, em bancos de dados, fontes diversas, repositórios desconhecidos, além do armazenamento competente das mesmas, é a atribuição prima desses atores. O volume crescente de dados na internet diz respeito a uma universalidade descartável, informações que normalmente nunca serão consultadas ou lembradas. Mas as informações relevantes, que têm valor para os usuários, devidamente armazenadas (não mais em estantes, agora em servidores), sempre estarão ao alcance de quem precisar.

À medida em que a internet se torna universal, as informações que precisamos pode estar, cada vez mais, presentes bem no nosso quintal.

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