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segunda-feira, 28 de março de 2011

Biblioteca Pública Arthur Vianna completa 140 anos

Crédito da imagem: Saavedra, Música, Chibé e Poesia.blogspot

Lá está o maior acervo de literatura paraense, com exemplares de Max Martins a Adalcinda Camarão. Existem ainda obras raras, como as “Rimas Várias de Luis de Camões”, livro original publicado em 1689, e jornais antigos que circularam no Pará em séculos passados e hoje que ajudam a compreender um pouco da história do Estado. O acervo com livros das mais diversas áreas do conhecimento já ultrapassa a marca dos 750 mil volumes. Essas particularidades fazem da Biblioteca Pública Arthur Vianna uma verdadeira guardiã da memória paraense – seja no campo literário, social, econômico ou político. Percebê-la como tal exige sensibilidade. Diante da facilidade das páginas geradas instantaneamente, com o acesso à internet, é preciso repensar o estatuto de uma biblioteca pública.

No próximo dia 25, a instituição completa plenos 140 anos de funcionamento e como qualquer anciã, carece de atenção. Dos jovens, principalmente, que já não têm a “biblioteca do Centur”, como é popularmente conhecida, como primeira alternativa de pesquisas escolares ou mesmo de visita.

Programação de aniversário começa hoje

Mas o espaço também precisa de atenção por parte do poder público, já que se faz notória a necessidade de adaptações físicas e estruturais. De acordo com Ruth Selma dos Santos, gerente da biblioteca, há um esforço concentrado por parte dos funcionários para suprir novas demandas em face às novas tecnologias e às necessidades de infra-estrutura. “Nós temos que acompanhar as mudanças, adaptar alguns serviços, mas isso ocorre num ritmo lento. Percebemos que houve também uma redução de público, mas esse ano já está aumentado”, diz a gerente, reafirmando que agora o objetivo principal é reconhecer que a instituição continua “viva”. Para tanto, Ruth tem aprimorado a parceria com escolas, públicas e privadas, na tentativa de reaproximar público e biblioteca. A realização de programações variadas, como seminários e eventos para a formação de leitores, são maneiras de trazer os estudantes para a instituição. “Queremos mostrar que a biblioteca está dinâmica e de portas abertas, e continua sendo uma ótima fonte para pesquisa de conteúdo”, enfatiza. Ela aproveita para informar o novo horário de funcionamento: de 8h30 às 19h. No ano passado, o horário foi reduzido para contenção de gastos no governo Ana Júlia Carepa (PT) – conforme o decreto estadual 1.618, de abril de 2009, que estabeleceu uma série de cortes e ajustes administrativos. “Mas muitos alunos precisavam vir mais cedo e estão visitando agora”, diz. “A biblioteca possui conteúdo que não se acha na internet”.

História

A começar pelo autor que dá nome à instituição, Arthur Vianna (1873 – 1911) é um ilustre desconhecido. Ele é paraense de Belém e foi poeta, prosador, historiador e autor de 17 importantes obras sobre os mais diversos aspectos da vida social, política e cultural do Pará. Foi, também, um dos primeiros diretores da Biblioteca Pública do Pará, nomeado pelo governo Lauro Sodré, em 1895. Por esse motivo, foi escolhido para ser homenageado, durante uma reunião do conselho de cultura da Academia Paraense de Letras, segundo informa Ruth Selma dos Santos. A instituição é a mais antiga na área de cultura no Pará. Foi primeiramente fundada em 1846, sendo anexa ao Lyceu Paraense, onde funciona atualmente o Colégio Estadual Paes de Carvalho.

Em 1863, o Lyceu passou para o prédio do antigo convento do Carmo, e apenas em 1871 a biblioteca foi constituída como órgão público. Em 25 de março daquele ano foram inaugurados, oficialmente, a Biblioteca Pública e o Arquivo Público do Pará. Já na década de 1980, a biblioteca passou a integrar a Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves.

Comemoração

Para celebrar a data, inicia hoje na sede da Fundação uma programação diversificada, que inclui palestras com escritores, oficinas, exibição de filmes, seminário, exposições. As atividades seguem até dia 27, diariamente, das 10h às 22h. As atividades são gratuitas, com exceção dos eventos no Teatro Margarida Schivasappa e no Cine Líbero Luxardo, que terão ingressos a R$ 1 mais um livro novo ou usado em bom estado.

Os debates com escritores nacionais ocorrem sempre às 19h e terão a participação dos romancistas Mário Prata (hoje), o jornalista Márcio Vassalo (23), o educador Celso Antunes (24), o especialista em organização de acervos Jayme Spinelli (25) e o poeta Thiago de Mello (26). Já os chargistas e ilustradores Joe Bennet, Biratan Porto, João Bosco e João Bento formam o time de artistas locais que participam de um bate-papo com o público, no sábado (26), às 14h.

A história da Biblioteca Pública Arthur Vianna será contada por meio de uma exposição. As oficinas de “Animação” (ministrada pela equipe da revista da Turma do Açaí), além “Manipulação de bonecos”, “Confecção de livros artesanais” e “Contação de Histórias” são algumas delas. O público infantil também terá atividades nos espaços lúdicos Acalanto, Gepetto e Saci Pererê.

O “Seminário de Tecnologia e Informação” reunirá, a partir de hoje, pesquisadores e estudiosos em debates sobre temas como direitos autorais na web, a biblioteca pública com a inserção de novas tecnologias, e o uso da internet no ofício do professor. No campo literário, o público pode renovar o acervo pessoal com o projeto “Chuva de livros” e o “Entrelivros”, que propõem a troca de livros usados.

O Teatro Margarida Schivasappa também será palco das comemorações, com shows diários, às 20h. Salomão Habib (hoje), Mahrco Monteiro (23), a peça teatral “Eu me confesso Eneida” (24), Andréa Pinheiro e Paulo Campos Melo (25), Rosa Correa (26) e Alexandra Sena (27) compõe as atrações do espaço. O violonista Sebastião Tapajós também se apresenta no Teatro, na quarta-feira (23), às 16h, como parte do projeto “Quarta às quatro”, da Fonoteca Satyro de Melo.

Já o Cine Libero Luxardo exibe filmes de adaptações literárias com o projeto “O livro na tela”, além de apresentar longas-metragens para deficientes visuais com filmes em audiodescrição, pelo projeto “O Olhar de dentro”.

Participe

Comemoração dos 140 anos da Biblioteca Pública Arthur Vianna, de hoje até dia 27 deste mês, sempre das 10h às 22h, em diversos espaços do Centur. Confira a programação completa em www.fcptn.pa.gov.br. Informações: 3202- 4332 / 4391. (Diário do Pará) .

Um comentário:

  1. Muito obrigada, Mário! Também gostei do seu Blog e já sou sua seguidora pois assim poderemos interagir disseminando o que nos propomos, a nossa Arte e a nossa Cultura.

    Um terno abraço amazônico parauara

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