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quarta-feira, 9 de março de 2011

Sociedade em Rede, de Manuel Castells.

O livro Sociedade em Rede, de Manuel Castells, publicado pela editora Paz e Terra, de 574 páginas, é um guia para quem procura entender as transformações desse mundo pós-moderno e toda essa nova realidade digital em que vivemos hoje. Castells é pontual em relação a temas polêmicos e muitas vezes e de difícil compreensão como, por exemplo, desemprego; reestruturação capitalista nos países membros do G-7; flexibilização do trabalho – mas não da sua jornada -, e a inserção em massa das mulheres no mercado de trabalho.
Assim como a Revolução Industrial ocorreu em um determinado ponto geográfico da Terra e inserido num período histórico específico (Inglaterra, 2ª metade do século XIX), o surgimento da Sociedade da Informação obedeceu aos mesmos parâmetros, mas com implicações bem mais complexas para a sociedade atual. Estamos vivendo o auge de um processo o qual teve o seu início por volta do início da década d 1970 com a crise do capitalismo nos EUA e a falência do Estado de Bem-Estar Social na Europa. A realidade em que vivemos hoje é o resultado dessa reestruturação a qual trouxe imensas dificuldades para países em desenvolvimento como o Brasil, por exemplo, porque essa nova sociedade traz consigo um novo modo de produção: o informacionalismo. A informação é matéria-prima dentro do processo produtivo em todas as esferas de produção do modo de produção capitalista. Vivemos em uma nova sociedade, e para entende-la, são necessários novas formas de entender o presente, os quais não surgirão apenas devido a nossa vontade, ou necessidade, mas deverão também ser produzidos por meio de pesquisa, leitura, e aplicação intelectual.

“A relação entre mão-de-obra e a matéria no processo de trabalho envolve o uso de meios de produção para agir sobre a matéria com base em energia, conhecimento e informação. A tecnologia é a forma específica dessa relação” (CASTELLS, p. 52).
 
Um outro ponto interessante do livro é a parcela de responsabilidade que Castells dirige aos Estado pelos os índices de desemprego, uma vez que isso somente acontece devido às falhas das políticas públicas dessa área. O autor coloca umas das questões as quais contrariam a onda de “acesso ilimitado” na rede, uma vez que as regiões do Oriente Médio e a África são regiões do globo que menos participam dessa nova sociedade. Uma das mensagens mais claras do livro, na minha opinião, é sobre a condição crucial para que qualquer país insira-se na Sociedade da Informação é a necessidade de severos investimentos em Educação, Ciência e Cultura. Todos os países que hoje integram o grupo das nações desenvolvidas possuem índices baixíssimos de analfabetismo, quando inexiste; altos níveis de qualidade de vida e pleno emprego. Situação em que estamos muito longe de alcançar, devido a anos de negligência administrativa brasileira.

“A pesquisa acadêmica avançada e um bom sistema educacional são condições necessárias, porém não suficientes, para que os países, as empresas e os indivíduos ingressem no paradigma informacional. Assim, a globalização seletiva da ciência não estimula a globalização da tecnologia” (CASTELLS, p. 167).

Um bom livro para entender esse mundo novo e de suas implicações em nossas vidas. Castells é analítico, quase que imparcial, pois não admite certas contradições desse novo sistema e suas implicações na vida dos trabalhadores menos instruídos. Sua análise me parece um tanto Weberiana, pois em muitas vezes fica nítido o seu distanciamento do objeto de pesquisa.

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