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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Federal do RS descumpre meta de aumento de vagas e alunos ficam sem prédios e professores

Especial para UOL Educação
Em Porto Alegre

Três anos e meio depois de aprovar sua adesão ao Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), as obras e contratações de professores prometidas pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) ainda não saíram do papel.
Obras fazem parte do cotidiano do campus do Vale da UFRGS. Crédito da imagem: UOL Educação

Segundo dados oficiais da reitoria da UFRGS, as obras de engenharia estão com os cronogramas atrasados em mais de dois anos. O primeiro prédio será entregue apenas no final do ano, com 24 salas de aula capazes de abrigar mais de 400 estudantes.
"Nós defendemos a adesão ao Reuni, mas estamos só razoavelmente satisfeitos”, disse o presidente da Adurgs (Associação dos Docentes da UFRGS), Celso Scherer. Segundo o professor, há preocupação com os cortes orçamentários e com a baixa velocidade das reformas. Para Scherer, é importante “fazer as mudanças” com mais rapidez.
Ele cita como exemplo a baixa densidade de estudantes na universidade federal, que concentra cerca de 30% das vagas de ensino superior no Rio Grande do Sul. No passado, esse índice já superou a metade do número de estudantes universitários. Com menos alunos, os investimentos acabam minguando, diz o professor.
Outra preocupação é com a média de estudantes por professor. Na prática, a UFRGS está dentro da meta do Reuni de limitar essa densidade a 18 estudantes, mas em alguns cursos é possível encontrar salas de aula com mais de 70 alunos. No curso de Relações Internacionais, segundo informação do DCE (Diretório Central de Estudantes), muitos estudantes ssistem às aulas de pé por falta de cadeiras.
“Há muitos problemas de infraestrutura, especialmente no Campus do Vale [afastado cerca de 20 km do centro da cidade]. Somos favoráveis à ampliação de vagas, desde que haja verbas para manter a condição de ensino desses estudantes”, reclamou Caio Dorsa, da comissão executiva do DCE.
Segundo ele, falta espaço para livros nas bibliotecas, faltam computadores nos laboratórios de informática e as bolsas de graduação, que auxiliam na manutenção de 1,6 mil alunos, foi reajustada em R$ 20. Deveria, segundo aas contas do DCE, estar em pelo menos R$ 450. Foi fixada pela Reitoria da Ufrgs, entretanto, em R$ 380.
Além disso, a criação de 12 novos cursos está longe de ser uma realidade. Estudantes do programa de Políticas Políticas, uma das graduações oferecidas a partir do início do ano letivo de 2010 como parte do Reuni, reclamam que se transformaram em “alunos-nômades” – vinculados ao Departamento de Sociologia, têm aulas também nos cursos de Economia e Educação, localizados no Campus Central.
“Não temos espaço para construir um Centro Acadêmico, não temos cadastro para estágio e muitas disciplinas que fazem parte do currículo não foram oferecidas porque não há professores”, protestou o acadêmico Ricardo Souza Araújo, 20 anos.
O problema, segundo ele, ocorre com várias matérias, como Políticas Ambientais, Políticas de Emprego e Administração. As disciplinas fazem parte do currículo desde o primeiro semestre do curso, que começou em março de 2010, mas nunca foram oferecidas aos 85 alunos regulares da graduação.
A mesma situação envolve outros cursos novos, como Engenharia de Automação, Serviço Social e Biotecnologia.

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