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sábado, 9 de julho de 2011

'Não seria má ideia comer Machado de Assis', diz argentina Pola Oloixarac

Escritora está em Paraty para lançar controvertido romance de estreia. Chamada de 'musa' da Flip, ela rebate com sarcasmo fala sobre biquíni.


Dona de uma das prosas mais transgressivas – e ambíguas – desta Flip, a escritora argentina Pola Oloixarac elegeu, a pedido do G1, que autor gostaria de "devorar", no sentido antropofágico de Oswald de Andrade, da assimilação como forma do artista se fortalecer.
"Não conheço muito a literatura brasileira contemporânea, mas gostei de 'Nove noites', de Ronaldo Carvalho, e agora estou no caminho de Machado de Assis. Talvez me cairia muito mal comê-lo, mas não seria uma má ideia", brincou a jovem autora de "As teorias selvagens", seu romance de estreia, que veio acompanhado de elogios de parte da crítica de língua espanhola e de comentários depreciativos, especialmente de alguns meios argentinos, que a acusaram de ridicularizar a esquerda e a tradição acadêmica do país.
Como nas linhas que escreve em sua casa em um vilarejo próximo à estância turística de Bariloche – a que prefere chamar de "Brasiloche", por ser alvo de "um tsunami de brasileiros" -, Pola alterna momentos de seriedade e de ironia para falar sobre os efeitos devastadores da recente erupção vulcânica que cobriu de cinzas a região e afetou o tráfego aéreo em toda a América do Sul.

"As coisas com o vulcão estão bem... Sim, tem um pouco de cinzas, a natureza é assim. Caíram cinco centímetros de cinza. Foi um pouco dramático, foi especial. Havia uma sensação de enxofre no ar. Mas agora as cinzas pararam de cair. E começou a cair neve. São como praias nevadas. Tudo é uma praia agora."
Aproveitando a deixa, o repórter pergunta à Pola sobre o novo maiô de estampa de oncinha do estilista Marc Jacobs que ela, assumidamente apaixonada por moda, declarou a uma publicação brasileira estar ansiosa para usar em Paraty. A escritora – que é formada em filosofia e sofre com as insinuações de que só faz sucesso por ser bonita – mostra as garras:
"Claro, porque é a única coisa em que uma escritora pode pensar. Quero ir ao Brasil para ficar de biquíni todo dia, dar entrevistas de biquíni, dar palestras de biquíni. Vim para isso, era absolutamente a ideia." E arremata: "Nunca tive um biquíni. Nem de oncinha, nem Marc Jabobs. Não é verdade, eu sinto muito. Acho que vão cancelar minha participação na Flip agora que sabem que não trouxe um biquíni. Por isso não queria fazê-lo até o último momento."

Fonte: Globo.com

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