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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Educação técnica e cidadania

 

João Santos Dreyer Netto

  

A reportagem veiculada por este jornal em 31 de maio do corrente ano divulgou a comemoração dos 102 anos da criação das escolas profissionalizantes no Brasil. Esse fato reforça a política do governo federal, instituída desde a primeira gestão do presidente Lula da Silva, que objetiva aumentar as atividades desenvolvidas nesses estabelecimentos de ensino técnico, oferecendo maior número de vagas à população.

O ensino profissionalizante existe desde o Brasil Colônia e, à época, era dirigido apenas por religiosos católicos. Para que a formação ocorresse de maneira satisfatória, os jesuítas ficaram encarregados da formação religiosa e contratavam trabalhadores externos para o desempenho das atividades mecânicas. Entretanto, como no Brasil eram insipientes a formação e a existência de artesões, os jesuítas foram obrigados a trazer da Europa profissionais para exercerem suas atividades e, ao mesmo tempo, transmitir seus conhecimentos a negros, índios e mestiços. Essa formação era dada no próprio local de trabalho para as crianças e os jovens desassistidos. Porém, a Companhia de Jesus não deixou de atender à elite. Para essa classe social, criou escolas específicas que não abordavam formação pertinente à profissionalização. Já em plena República, o presidente Nilo Peçanha, em 1909, cria, por decreto, 19 escolas técnicas para atender a negros, pobres, órfãos e deserdados da sorte, a fim de dignificar-lhes a pobreza, legitimando o menosprezo social por essa modalidade de educação.

Modernamente, porém, o ensino técnico passa por bem diferente realidade. O surgimento da necessidade de formação de profissionais qualificados para desenvolverem atividades complexas e, consequentemente, melhor remuneradas leva jovens e adultos de diferentes origens a disputarem vagas em cursos profissionalizantes, pois estes garantem colocação quase imediata no mercado de trabalho, além de despenderem tempo menor para a conclusão. Assim, a formação técnica, que ainda é motivo de pouco caso pela academia e de desinteresse pela intelectualidade nacional, passou a ser disputada por graduados, pós-graduados, além dos jovens formados no ensino médio.

Não basta, contudo, uma formação profissionalizante embasada numa visão tecnicista. É indispensável que os currículos desses educandários disponibilizem conteúdos e atividades que transmitam aos estudantes os saberes indispensáveis para se tornarem profissionais competentes, aliados à aquisição de conhecimentos sociopolíticos que lhes permitam exercer, de forma consciente, sua cidadania, tornando-os, portanto, senhores do próprio destino.

professor do IFRS - campus PoA / mestrando Unilasalle

Colaboração: Izaías Magalhães Quintana, Técnico em Biblioteconomia

Fonte: Correio do Povo

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